Contenção na Construção de Diques Secos

Neste artigo vamos explorar os diferentes tipos de obras de contenção e as tecnologias disponíveis para a construção de Diques Secos e Ensecadeiras. Obras perto ou dentro da água são um enorme desafio para a engenharia civil.

Além das dificuldades com água, níveis variados, irregularidades, ondas e correntes,

Existem também muitos tipos de solos diferentes, vários de má qualidade, como areia fofa e argila mole.

Exemplos desses tipos de contenção são: eclusas, tomadas d´água, fundações de pilares de pontes, usinas hidroelétricas, diques secos, dentre outras. Neste artigo vamos utilizar o dique seco e a aplicação da tecnologia na execução destas construções.

Contenção na construção de diques secos

 

Um dique seco é uma bacia composta de três paredes em formato retangular, com um piso de concreto reforçado para resistir às cargas das embarcações, força de flutuação, pressão, e etc.

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1 – Dique seco em construção, perspectiva do mar para terra.

No quarto lado do retângulo é montada uma comporta especial, que chamamos de porta-batel,

Por onde a embarcação entra e sai navegando na bacia do dique seco alagada.

Após a entrada da embarcação, o dique é fechado com o porta-batel e a bacia é esvaziada para que a embarcação fique em um local seco.

Isso serve tanto para reparos, quanto para construção de embarcações.

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2 – Porta batel colocado no piso de dique seco, esperando o término da soleira da entrada.

  • Porta-batel

O porta-batel funciona como uma embarcação, que posicionada na entrada do dique seco, é enchida com água até que ele pare a sua flutuação, encostando assim na soleira e vedando a entrada de água. Para abrir a entrada do dique seco, a bacia será alagada novamente. Logo após, retira-se a água de dentro do porta-batel até que ele flutue e assim seja removido.

Para a construção de diques secos e sua devidas contenções  já foram utilizados vários tipos de materiais, como cantaria ou concreto armado. Nestes casos as obras precisavam de uma vala de construção, com taludes ou paredes escoradas. Com o aumento de profundidade dos diques secos, principalmente devido à evolução da indústria naval, foram desenvolvidos materiais com os quais as paredes pudessem ser instaladas antes da escavação, como paredes diafragmas ou estacas de concreto encostadas entre si.

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3 – Paredes compostas de estacas de concreto armado de um dique seco antigo.

Já as ensecadeiras, “diques de solo”, similar às barragens ou onde há falta de espaço , as “coffer dams” retangulares, não tiveram ao longo dos anos um desenvolvimento significativo.

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4 – “Coffer dam” retangular com solo entre paredes de chapas dobradas.

  • Utilização da cravação em obras de contenção

 

No ano 1902 foi desenvolvido um novo material, que revolucionou as obras de contenção,

Principalmente as que possuem contato com a água.

Eram as estacas pranchas metálicas laminadas a quente, com um sistema de conexão, chamado “Interlock Larssen”, em referência ao seu inventor.

Um século depois as estacas pranchas também chegaram ao Brasil, assim como as modernas máquinas para cravação, os conhecidos martelos vibratórios.

Eles permitem a realização de obras de contenção de maneira rápida, segura e minimizando impactos ao entorno.

Estas estacas pranchas servem para construir as paredes permanentes de diques secos , são capazes de resistir de forças de empuxo ativo de solo, carga vertical de pórtico e servem também para a ancoragem lateral do piso contra as forças flutuantes.

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5 – Paredes de dique seco de estacas pranchas laminadas a quente fixadas com tirantes e com uma viga de coroamento para receber o trilho do pórtico.

  • Contenção na construção de ensecadeiras

 

Utiliza-se também estacas pranchas para a construção de Ensecadeiras, sejam com parede simples ou não. As duas principais vantagens de se construir ensecadeiras com estacas pranchas são:

Sua elevada retenção de água e a facilidade de removê-las com martelos vibratórios, após o final da obra.

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6 – Ensecadeira de estacas pranchas laminadas a quente, vista do lado da água.

Ainda assim existem diferenças entre as paredes para diques secos e ensecadeiras.

Por motivos econômicos e para limitar certas deflexões e deslocamentos,

As paredes permanentes recebem ancoragem com “contra-paredes”, tirantes ou estacas inclinadas conectadas na parte superior das estacas.

Na parede de ensecadeira tenta-se evitar esses elementos, para não dificultar a remoção após a conclusão da obra. Neste caso adota-se estacas pranchas mais robustas, fichas mais profundas e quando possível, faz-se um estroncamento contra as paredes de dique ou utiliza-se uma “berma de solo”, para dar mais estabilidade à ensecadeira, desta forma travando-a. Isso garante a segurança durante a execução da obra.

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